sexta-feira, 29 de março de 2013

Genealogia dos deuses gregos





A origem do universo: Big Bang


Por que filosofar, no contexto atual?




O contexto cultural do século XXI encontra-se marcado pela presença das novas tecnologias da informática e da comunicação. Muitas ideias são produzidas e apresentadas de forma pronta e acabada. A realidade aparece como algo já feito, já dado e que, muitas vezes, não precisa mais ser pensada. Diante deste fenômeno cultural, emerge um questionamento: por que filosofar?

Laércio Jorge Zanghelini.
Professor universitário nas áreas de Filosofia e
Sociologia, em Indaial e Blumenau, SC.


          A filosofia volta seu olhar para a realidade do ser humano e busca fazer a análise, a reflexão, a crítica e a busca do fundamento e do sentido da realidade. Nesta situação, indica-se a questão da importância da filosofia e do filosofar na vida de cada ser humano. Entende-se que a filosofia faz parte da experiência histórica do ser humano. Da mesma forma, o filosofar é inerente à condição humana. Partindo dessas premissas, o ser humano não pode postergar esta essencialidade da sua vida que é a filosofia e o filosofar.

Em busca do sentido
A filosofia, desde sua origem, na Grécia, aparece como uma reflexão sistemática voltada para a compreensão da realidade humana. Não se estabelece como um pensar as questões cosmológicas e antropológicas de modo definitivo; porém, caracteriza-se com uma busca, um processo sempre dinâmico de definição das “verdades” de cada época histórica. Hoje, pode-se conceituar a filosofia dizendo que é a ciência, o conhecimento que visa, pela razão, a buscar o fundamento e o sentido da realidade humana. Ou seja, o objeto da filosofia é o próprio ser humano – é a própria realidade humana. Então, o objeto da filosofia é o ser humano que é o próprio que está filosofando. Neste movimento de busca do “quê”, do “por que”, a filosofia não para nos fatos, nas situações m, mas vai além da experiência. A filosofia indaga o sentido do ser e do fazer, do agir humano. Não está à margem da vida, nas nuvens ou no Olimpo; mas, reflete com criticidade, radicalidade e totalidade sobre a existência. Como, por exemplo: como devemos viver? Qual é a coisa mais importante na vida? Quem sou eu? O que é o universo?
A atitude filosófica é uma característica indissociável da condição humana. Apesar de que para qualquer assunto pode-se inferir uma reflexão filosófica, isto não significa que qualquer pensar seja filosófico. O filosofar tem suas exigências próprias. Filosofar é um processo de busca, de investigação sobre a realidade, de questionamento, de inquietação, de admiração diante do mundo e da vida. O filosofar caracteriza-se como uma investigação sobre o mundo e se identifica com esta atitude: é preciso perguntar o quê, o como, o porquê das coisas, das ideias, do significado das situações. O filosofar é, assim, um movimento de reflexão sobre si mesmo e sobre a realidade. Portanto, o ser humano, ao filosofar, indaga o  quê, o para quê; sobre o que pensa; o que se diz e o que se faz.

Tarefa da Filosofia
O filosofar visa olhar a realidade humana e o mundo sem compartimentá-lo, sem parti-lo em fatias. Busca o todo. O hábito da filosofia é a decifração do enigma humano. No ato de filosofar, o ser humano quer que sua investigação, que sua reflexão esclareça os pressupostos do próprio conhecimento para que os conceitos não sejam vistos como donos da última e derradeira verdade sobre o fenômeno em questão.
            Destaca-se que o ser humano caracteriza-se mais como um ser das possibilidades do que um ser determinado e totalizado em seus condicionamentos. Este ser de possibilidades realiza-se através das próprias decisões tomadas para transcender as próprias determinações históricas. Então, o ser humano desvela-se como alguém responsável por si mesmo e por seu mundo. Refletir estas questões próprias da existência humana é uma das tarefas da filosofia e do próprio sentido de busca, do filosofar as questões humanas.
            A filosofia contribui no sentido de pensar, de efetivar uma reflexão com criticidade, radicalidade e totalidade sobre a realidade humana. Se, de um lado, constata-se que o raciocínio não consegue abranger o todo; porém, ao filosofar, não se abre mão desta busca pela totalidade, mesmo que seja como um horizonte a ser buscado. Essa totalidade é diferente do conceito e da abrangência totalizante da ciência. A explosão da técnica, das ciências, não consegue dar uma base sólida para tudo, para todas as questões. A identidade específica do ser humano é o pensar. No momento em que ocorre a desvalorização desta capacidade, a pessoa perde sua maior riqueza. O “homo sapiens” começa a anular-se, a massificar-se e a instrumentalizar-se. Pode-se, assim, refletir sobre a importância da filosofia e do filosofar no contexto cultural atual.
Mundo Jovem. Jornal de Ideia, PUCRS.
Edição 315, abril de 201, p.9

Atividades

1 – Pesquise no texto as frases sobre a filosofia e o filosofar.
Elabore com elas um quadro comparativo com as ideias encontradas. Exemplo:

FILOSOFIA E FILOSOFAR
Ideias sobre FILOSOFIA
Ideias sobre FILOSOFAR

1.
2.








1.
2.

2 – A partir das ideias encontradas, responda o que significa filosofia e o que significa filosofar.
3 - Elabore um texto argumentativo sobre a filosofia e o filosofar utilizando-se as informações recolhidas do texto estudado. Dê um título para o texto.
Orientações sobre texto argumentativo
O que é argumentar?
É persuadir racionalmente alguém.
Quando usamos a argumentação?
Quando queremos defender um ponto de vista.
Quando apresentamos a nossa opinião.
Quando propomos uma solução.
Quando queremos convencer os outros sobre uma ideia, uma opinião ou um pedido.
Dica: Escrevam um texto tentando convencer os jovens a estudarem filosofia.

terça-feira, 26 de março de 2013

Valores





Segundo Ulisses Araújo (2007) os valores são construídos a partir da projeção de sentimentos positivos que o sujeito faz sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmo. Com isso, entende-se que um sujeito pode projetar sentimentos positivos sobre: objetos (ex: a escola); pessoas (ex: um amigo ou o pai); relações (ex: a forma carinhosa com que um homem trata uma mulher, ou um professor a seus alunos); sobre si mesmo (e aqui temos a base da auto-estima).
Poder-se-ia afirmar que os valores definem-se como sendo entidades de juízo; não existem na realidade, não são propriedades dos objetos, são atribuídos às coisas por um sujeito. Valor implica sempre uma relação de um sujeito com um objeto, ao qual este atribui um determinado valor. Apresentam-se como entidades ideais que representam a perfeição e o seu oposto. Na busca de valores, o homem vai aperfeiçoando-se.
Os valores são apresentados de modo hierárquicos. Ordena-se em escalas que vão do menos para o mais. (Gosto mais, gosto menos, gosto, não gosto). São variáveis de pessoa para pessoa. Cada pessoa constrói sua escala de valores que influencia suas escolhas constituindo-se em uma hierarquia. O que gosto mais o que gosto menos.
Por outro lado, os valores podem ser negativos ou positivos. São polarizados. Aparecem sempre com uma dupla face: positiva e negativa. A um polo positivo (por exemplo: bonito) opõe-se sempre um polo negativo (no exemplo: feio).
Para que exista um valor é necessário que exista um juízo. Existem juízos de fato e juízos de valor. Pelos juízos de fato entendemos os que são descritivos ou de existência. Descrevem e informam acerca da realidade concreta sem emitir preferências e apreciações. Podem ser facilmente considerados verdadeiros ou falsos, conforme se adéquam ou não à realidade, e podem ser objeto de verificação empírica. Isto é, em relação ao juízo: "A árvore deu frutos", que é um juízo de fato, eu posso olhar e verificar se é verdade ou não verdade.
Os juízos valorativos julgam fato e realidades em função de preferências. Estes juízos não são verificáveis empiricamente e não são, normalmente, alvo de consensos. Podem ser de apreciação moral, estética, religiosa, vital, de utilidade, entre outros.
Os valores são guias de ação, aquilo que “põe em movimento” os comportamentos, as condutas das pessoas. Na nossa vida estamos sempre a fazer juízos de valor e a guiarmo-nos por eles. Eles orientam a vida e marcam a personalidade; uma pessoa define-se, diz quem é, em função dos valores que tem.
Os valores orientam as nossas preferências; eu prefiro isto ou aquilo em função dos valores que tenho. Por exemplo, se a igualdade de direitos é um valor importante para mim, eu vou optar por não discriminar as pessoas pela sua raça.
Por causa dos valores as coisas se apresentam de forma diferenciada para as pessoas. Ou seja, há coisas de que se gosta e não se gosta; há coisas que se admira e coisas que não; outras que se respeita e outras que não se respeita. O que gosto pode ser que não seja o que o outro gosta. O que respeito, pode ser o que o outro não respeita.
É em função desta perspectiva que os valores conferem sentido à vida pessoal e social. Organizam a visão de mundo das pessoas e conferem a elas significado para a existência.
Assim, alguém poderia dizer: “Não vivo sem teu amor”. “Você é tudo para mim”. “Mãe, eu te amo!”.


Atividade:

1 – Em uma folha, escreva cinco valores que você considera positivos e negativos.
2 – O que são juízos de valor e juízos de fato?
3 – Dê exemplos de juízos de fato e juízos de valor.
4 - Em sua opinião, quais valores são predominantes em nossa sociedade. Por que?
5 – Por que certos valores são valores positivos para alguns e negativos para outros?
6 – Que valores são importantes para a sociedade viver em paz? Justifique a resposta.

Um forte abraço do Prof. Caetano.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Desafio contemporâneo


Matrix




Libertação da Grande Matrix Global

A Matrix é uma supermáquina que domina a todos através do controle de nossas mentes, de nossa sensibilidade, de nossas emoções, de nossas fantasias, prazeres, etc. A Matrix é uma espécie de estimulação neurointerativa, isto é, toma conta da nossa mente e nos domina por inteiro; faz com que percamos a noção da realidade e nossa vontade seja voltada inteiramente para servi-la.
No filme, é necessário que Neo seja conectado à uma máquina para entrar na Matrix. A interação entre homem e máquina.
Na realidade em que vivemos, precisamos de conectores horrendos em nossas cabeças para sermos dominados pela matrix Global? Onde está a Matrix Global?
Perguntando de outro modo: quais são os agentes dominadores da nossa realidade emocional, prazerosa, sentimental, amorosa, etc ?
Não obstante as perguntas acima, é preciso mudar o foco. As perguntas poderiam e deveriam ser outras. Tais como: podemos nos libertar da dominação? Podemos afirmar nossos valores individuais, nossas qualidades e nos distanciarmos daquelas que a Matrix do consumo quer nos impor?  Por que somos, o que somos? Podemos mudar a configuração e a programação que nos impõem? É a máquina que manda em mim ou sou eu que mando na máquina? É possível viver sem as máquinas modernas? Você seria capaz?
Se assim fizermos, certamente, estaremos caminhado em direção à libertação. Libertação de todas as fantasias impostas e não construídas por nós mesmos. Libertação da tentação do consumo dominador ilimitado e destrutivo. Libertação de toda forma de invasão de nossa privacidade, que nem sequer, paramos para questionar.
Conhece-te a ti mesmo. Seja livre! Seja você.
Um forte abraço do prof. Caetano.

Mito de Prometeu e Pandora


domingo, 24 de março de 2013

A mudança vem de pequenos grupos


Faça o bem, não importa a quem!


Mito Babilônico da Criação


Mito Babilônico da Criação

      No início havia somente o Caos, aquoso, com Apsu e Tiamat, que repre­sentavam, as águas doces e salgadas.
     Então o céu ainda não tinha nome e a terra ainda não tinha nome... Foi então que esses príncipes começam a se organizar e, do casal primitivo, nasceram Lahmu e sua companheira, Lahamu. Desse casal, um pouco mais tarde, nasceram Mumu, de­pois Anshar e Quísar, isto é, a totalidade do céu e da terra. Deles nasceram  Anu, o deus dos céus, Enlil, o senhor do ar (que mais  tarde se tornar também senhor da terra) e Ea, o deus das águas; do abismo que cerca o mundo. Por briga e bagunça, os três deuses nascidos, se tornam insuportáveis a Apsu e a Tiamat.
       Os jovens deuses, advertidos, reagem; Ea, graças a seu poder mágico, se torna senhor de Apsu, que ele condena à morte, e de Mumu, que aprisiona. O furor de Tiamat não conhece limites; dá à luz onze monstros terríveis que enfrentam seu inimigos; um desses monstros é Quingu, que se torna seu esposo.
        Entretanto, o tempo passa e nasce um filho a Ea, Marduk.
       Desde o nascimento, Marduk é um prodígio: "O sábio dos sábios, o mais sábio dos deu­ses; no seio do abismo nasceu Marduk; sua estatura era esplên­dida, brilhante o fulgor dos seus olhos; seu nascimento foi o de um macho, ele fecundou desde o início... Tem quatro olhos e quatro orelhas..." 
Durante os preparativos de Tiamat, Marduk cresceu.
      Os deuses declaram-se impotentes para dominar Tiamat, inclusive Anu e Ea, cujos sortilégios haviam dominado Apsu.
       Todos os deuses, então, salvo Tiamat e o exército de Quingu, investem contra Tiamat. Reúnem-se, para organizar a defesa, num banquete, onde bebem para ganhar coragem. 
"O vinho suculento dissipa seus temores, seu coração se dilata, falam em altas vo­zes..." 
Propõem que Marduk se apresente como campeão dos deuses; ele consente, mas, tão prudente como o pai, estabelece condições; terá autoridade sobre os demais deuses e ninguém poderá ir ao encontro das suas decisões.
Os deuses consentem e cada um lhe dá a arma que fazia a sua força e, para lhe provar o poder, surge a prova da veste: 

            "Então os deuses puseram uma veste no meio deles e
             Marduk, o pri­meiro nascido, disseram:
             __Ordena que seja destruído ou criado, e assim será feito.
             Abra a boca e a veste será destruída.
             Dá nova ordem e a veste se encontrará intacta.
             Marduk, então, falou e a veste foi destruída.
             “Falou de novo, e a veste se reformou.”

       A seguir Marduk prepara suas armas: os quatro ventos, o raio, o furacão; e o combate começa.
       As armas mágicas de Tiamat não funcionam a contento e Marduk lança sobre ela uma rede.
     Tiamat abre a boca para vomitar chamas e Marduk se aproveita para nela precipitar um dos quatro ventos e fura o corpo estufado do monstro.
      Sobre o cadáver de Tiamat, Marduk canta um hino de vitória. Corta seu corpo em duas partes, como o corpo da ostra. E de uma face faz o firmamento e de outra a terra.
     No firmamento estabelece o domínio dos deuses da primeira tríade. Quingu, que fora preso, cede as tabuinhas do des­tino, que estavam com ele.
     Depois Marduk propõe criar um ser que se chamará "homem"; ele lhe imporá o serviço dos deuses "enquanto estes repousam".
       Mas a criação do homem exige sangue, e Quingu é sacrificado.
       Depois Marduk separa os deuses em dois colégios.
       Os deuses do céu e os do mundo subterrâneo.
     Reconhecidos, os deuses lhe oferecem o Esagil (Templo da Babilônia)  e cada um, dando seu nome, lhe outorga um título.


Adaptação e correção do texto: Prof Antonio Caetano Oliveira

Fonte:

http://www.astrologosastrologia.com.pt/mitos&mitologia=mitologia+babilonica.htm



Esagil ou Esagila  = templo da Babilônia.

Mito grego da criação



Mito de Prometeu e Pandora

         “Antes que o Céu e a Terra fossem criados, tudo era Um. Isso era chamado de Caos. Um grande Vazio sem forma onde potencialmente continha a semente de todas as coisas. A terra, a água e o ar eram um só. A terra não era sólida, nem a água líquida; o ar não era transparente. Mas aí os Deuses e a Natureza começaram a interferir: a terra foi separada da água e, sendo mais pesada, ficou em baixo; a água tomou os lugares mais baixos da terra e a molhou; e o ar, quando tornou-se mais puro, ficou no alto, formando o céu onde as estrelas começaram a brilhar. Foi dada aos peixes e a alguns outros seres a possessão do mar; aos pássaros, o ar; e aos outros seres a terra.
         Porém, um animal mais nobre, onde um espírito pudesse ser alojado, tinha que ser feito, e aí surgiu a idéia de se criar o Homem. Esta tarefa coube a Prometeu ("aquele que prevê"), e seu irmão Epimeteu ("aquele que pensa depois"). Epimeteu havia criado todos os animais, dotando cada um deles com características como a coragem, a força, os dentes afiados, as garras, etc. Como o homem foi criado por último, o estoque das qualidades estava reduzido. Então Prometeu procurou por características boas e más nas almas dos animais e colocou-as, uma a uma, dentro do peito do homem. E o homem adquiriu vida. No entanto, ainda faltava alguma coisa, algo mais forte, o Sopro Divino. Prometeu tinha uma amiga entre os deuses, Atena, deusa da Sabedoria. Esta admirou a obra de Prometeu e insuflou naquela imagem semi-animada um espírito. E os primeiros seres humanos passaram a caminhar sobre a terra, povoando-a.
         Mas os homens saíram das mãos de Prometeu, nus, vulneráveis, indefesos e sem armas. Eles não sabiam fazer nada; não tinham o conhecimento de como amolar as pedras para cortar melhor a pele dos animais; não sabiam como pescar, pois não conheciam os meios para tal.
         Sentindo muita pena dos pobres mortais, Prometeu desceu à Terra para ensiná-los a ver as estrelas; a cantar e a escrever; a domesticar os animais; fazer barcos e velas e como poderiam navegar; ensinou-os a enfrentar as variantes diárias da vida e a fazer ungüentos e remédios para suas feridas. Deu-lhes o dom da profecia, para o entendimento dos sonhos; mostrou-lhes o fundo da Terra e suas riquezas minerais: o cobre, a prata e o ouro e a fazer da vida algo mais confortável. E, por último, ele roubou uma centelha do fogo celeste e a trouxe para a terra. Com o fogo Prometeu ensinou aos homens a arte de trabalhar os metais. Esta seria uma forma de reanimar a inteligência dos homens, dando-lhes consciência, e de proporcionar melhores condições de vida para poderem se defender com armas eficazes contra as feras e cultivar a terra com instrumentos adequados.
         Logo que a primeira semente do fogo do Sol foi utilizada em fogueiras a humanidade passou a conhecer a felicidade de viver melhor, de comer um alimento menos selvagem, de aquecer-se e receber luz. Mas, em sua alegria imoderada, os homens julgaram-se iguais aos deuses, esquecendo seus deveres para com seus semelhantes. Zeus sentiu-se irado ao ver que o novo brilho que emanava da Terra era o do fogo. Sem poder tirar o conhecimento de como obter o fogo dos homens, arquitetou um malefício. E assim, decidiu punir tanto o Prometeu quanto os homens.
         Para castigar os homens, Zeus ordenou a Héfesto, o Deus das Artes, que modelasse uma mulher semelhante às deusas imortais e que ela fosse muito dotada. A mulher ainda não havia sido criada. Poucas horas depois, Héfesto chegou com uma estátua de pedra que retratava uma belíssima e encantadora donzela. Ela era linda, e clara como a neve. Ela foi apresentada aos deuses e cada um lhe deu um dom: Atena lhe deu a vida com um sopro e ensinou-lhe a arte da tecelagem, os outros deuses dotaram-na de todos os encantos; Afrodite deu-lhe a beleza, o desejo indomável e os encantos que seriam fatais aos indefesos homens. Apolo confere-lhe a voz suave do canto e a música, as Graças embelezaram-na com lindíssimos colares de ouro e Hermes, a persuasão. Em outras palavras, Hermes deu-lhe graciosa fala enchendo-lhe o coração de artimanhas, imprudência, ardis, mentira e astúcia. Por tudo isso ela recebeu o nome de Pandora ("a que possui todos os dons").
         E da forma mais perfeita e eficaz fez-se o malefício.
         Zeus enviou Pandora como presente a Epimeteu cujo nome significa. Epimeteu havia sido avisado por Prometeu para não aceitar nenhum presente dos deuses, mas, encantado com Pandora, desconsiderou as recomendações do irmão e casou-se com ela. Pandora chega trazendo em suas mãos um grande vaso (pithos = jarro) fechado que trouxera do Olimpo como presente de casamento ao marido. Pandora abre-o diante dele e de dentro, como nuvem negra, escapam todas as maldições e pragas que assolam todo o planeta. Desgraças que até hoje atormentam a humanidade. Pandora ainda tenta fechar a ânfora divina, mas era tarde demais: ela estava vazia, com a exceção da "esperança", que permaneceu presa junto à borda da caixa. A única forma do homem para não sucumbir às dores e aos sofrimentos da vida. “Assim, essa narração mítica explica a origem dos males, trazidos com a perspicácia e astúcia daquela que possui todos os dons, Pandora”.
BRANDÃO, Junito Souza - Mitologia Grega ,  vol. I, ed. Vozes

Atividade de Reflexão Crítica

01 – Elaborar um quadro comparativo da criação do homem e da mulher.
        
Exemplo:

Quadro comparativo da criação do homem e da mulher
Seres Criados
Desuses criadores
Qualidades
Fonte das qualidades
Homem






Mulher






Observações





02 – Elabore um comentário sobre as informações encontradas.
03 – Escrever os episódios que mais chamaram a atenção.
04 – Comente a imagem da mulher no mito e relacione-a com a imagem atual.
05 – Elabore um artigo opinativo usando as informações obtidas da leitura do mito. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Falta d'água no mundo em 2030



QUASE METADE DO MUNDO PODE FICAR SEM ÁGUA ATÉ 2030, ALERTA ONU

Edgard Júnior
Da Rádio ONU, em Nova York
22/03/2013 - 11h54

A ONU (Organização das Nações Unidas) celebra nesta sexta-feira (22) o Dia Mundial da Água com uma reunião na sua sede em Nova York, nos Estados Unidos, e com eventos globais. 
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que até 2030 quase metade da população global terá problema de abastecimento. Isso vai acontecer porque, daqui a 17 anos, a demanda por água vai superar a oferta em mais de 40%.
Ele falou, ainda, que com a mudança climática e as necessidades das populações que crescem e prosperam, os governos terão de trabalhar juntos para proteger essa fonte natural.
Em entrevista à Rádio ONU, de São Paulo, o Presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, alertou sobre o problema da mudança climática.
"Mudança climática impacta a água. Porquê? O resultado da mudança climática são secas mais longas, enchentes mais intensas, e portanto, são impactos diretamente no sistema hídrico."
O Secretário-Geral também disse que nenhuma mensagem sobre a água pode ser feita sem mencionar o saneamento. Segundo ele, 2,5 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a um banheiro. O custo disso é visto em vidas, já que 4.500 crianças morrem diariamente, e também na queda da produtividade econômica do planeta.
O chefe da ONU fez um apelo por mais cooperação entre os países dizendo que a água é um recurso natural comum, além de ser a chave para um desenvolvimento sustentável. Ele afirmou que todos devem usá-la de forma mais inteligente e sem desperdício.
"Nós temos que ter essa visão integrada que a água é um elo de ligação de diferentes setores da economia, da energia, da agricultura e do transporte. E ela tem uma ligação muito importante com a saúde, através do saneamento. Eu esperaria que os governantes entendessem claramente a importância de cuidar da água", lembrou Braga.

Esforço da ONU
Ban Ki-moon afirmou que em 2013, quando é celebrado o Ano Internacional de Cooperação pela Água, o Dia Mundial da Água será dedicado a destacar os esforços conjuntos necessários para garantir uma fatia justa para as pessoas e o planeta. 
A ONU, através de várias de suas agências, está promovendo a colaboração global de todos os setores.
O Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) está apoiando um acordo político para a divisão de águas, como na base do rio Nilo, no Egito.
Já a Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e a Comissão Econômica para a Europa também estão empenhadas em projetos que envolvem o bem natural.

Fonte:
Acessado em: 22/03/2013.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Perguntas filosóficas


Perguntas Filosóficas

            Muitas pessoas têm robby diferentes. Algumas colecionam moedas e selos antigos, outras gostam de trabalhos manuais, outras ainda dedicam quase todo seu tempo livre a uma determinada modalidade de esporte.
            Também há os que gostam de ler. Mas os tipos de leitura também são muito diferentes. Alguns leem apenas jornais ou gibis, outros gostam de romances, outros ainda preferem livros sobre temas diversos como astronomia, a vida dos animais ou as novas descobertas da tecnologia.
            Se me interesso por cavalos ou pedras preciosas, não posso querer que todos os outros tenham o mesmo interesse. Se fico grudado na televisão assistindo a todas as transmissões de esporte, tenho que aceitar que outras pessoas achem o esporte uma chatice.
            Mas será que existe alguma coisa que interessa a todos? Será que existe alguma coisa que concerne a todos, não importando quem são ou onde se encontram? Sim. Existem questões que deveriam interessar a todas as pessoas. E é sobre tais questões que trata um curso de filosofia.
            Qual é a coisa mais importante da vida? Se fizermos esta pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta será: a comida. Se fizermos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a alguém se sente sozinho e isolado, então certamente a resposta será: a companhia de outras pessoas.
            Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer. E precisa também de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos.
            Portanto, interessar-se em saber por que vivemos não é um interesse “casual” como colecionar selos, por exemplo. Quem se interessa por tais questões toca um problema que vem sendo discutido pelo homem praticamente desde quando passamos a habitar este planeta. A questão de saber como surgiu o universo, a Terra e a vida por aqui é uma questão maior e mais importante do que saber quem ganhou mais medalhas de ouro nos últimos Jogos Olímpicos.
            O melhor meio de se aproximar da filosofia é fazer perguntas filosóficas:
            Como o mundo foi criado? Será que existe uma vontade ou um sentido por detrás do que ocorre? Há vida depois da morte? Como podemos responder a estas perguntas? E, principalmente: como devemos viver?
            Essas perguntas têm sido feitas pelas pessoas de todas as épocas. Não conhecemos nenhuma cultura que não se tenha perguntado quem é o ser humano e de onde veio o mundo.
            Basicamente, não há muitas perguntas filosóficas para se fazer. Já fizemos algumas das mais importantes. Mas a história nos mostra diferentes respostas para cada uma dessas perguntas que estamos fazendo.
            E mais fácil, portanto, fazer perguntas filosóficas do que respondê-las.
            Da mesma forma, hoje em dia cada um de nós deve encontrar a sua resposta para estas perguntas. Não dá para procurar numa enciclopédia se existe um Deus, ou se há vida após a morte. A enciclopédia também não nos diz como devemos viver. Mas a leitura do que outras pessoas pensaram pode nos ser útil quando precisamos construir nossa própria imagem do mundo e da vida.
                                       
GAARDER, Jostein. Mundo de Sofia - Pgs. 24 e 25. Adaptação: Prof. Caetano.

ATIVIDADE

01 - O que caracteriza uma pergunta filosófica?
02 - Elabore algumas perguntas que possam ser consideradas filosóficas e justifique-as.
03 - Uma pergunta filosófica difere de outras perguntas em que? 
04 - Um pergunta filosófica é universal? Explique.
05 - O que é mais importante: perguntar ou responder? Justifique a resposta.



Ética e Indiferença




Ética e Indiferença

Alô turmas!
Leiam atentamente o texto abaixo
E respondam as questões propostas.
Um abraço! Prof Caetano.


Treinados para a indiferença

            Se nos tempos de Hitler houvesse televisão em cadeia mundial, ele não teria conseguido manter por tanto tempo campos de concentração, nem fazer o gueto de Varsóvia. A opinião pública teria apoiado a guerra contra o nazismo desde o seu início. A falta da televisão atrasou o enorme esforço feito para barrar o avanço do totalitarismo. Hoje, o mundo assiste indiferente aos horrores em escala global. Porque vivemos um tempo de indiferença.
            No Oriente Médio, há anos assistimos pela televisão ao momento quase exato em que jovens palestinos se suicidam assassinando jovens israelenses e em que soldados israelenses se embrutecem matando jovens palestinos. Cada qual dizendo defender sua própria terra, eles sacrificam e se sacrificam, diante da indiferença do mundo. Porque o mundo vem treinando há décadas para ficar indiferente.
            O terror deve ser interrompido não apenas em defesa da vida de suas vítimas, mas em defesa também dos próprios jovens que se suicidam matando; a brutalidade dos soldados deve também ser interrompida, não apenas em defesa de suas vítimas, mas também dos próprios soldados, que ficarão para sempre embrutecidos pela ação violenta que hoje praticam.
            Mas, o mundo assiste ao martírio dos inocentes cujo único erro foi estar em um café no momento em que ali explode uma bomba que eles não esperavam, ou o martírio do terrorista que deliberadamente explode a bomba em seu próprio corpo; ou do jovem palestino vítima de um tiro do soldado israelense; ou o sofrimento do próprio soldado com o corpo protegido dentro de um tanque monumental, mas o espírito vitimado pelas maldades que lhe mandaram executar.
            Vivemos um mundo onde todos são vítimas, sem uma indignação que faça parar a tragédia. E assistimos em cadeia nacional às explosões, aos tiros, às mortes, porque fomos treinados para isso.
            Há décadas, assistimos às imagens de crianças morrendo de fome, em um mundo com excedente de alimentos; assistimos a milhões morrendo de Aids, quando a ciência já oferece coquetéis salvadores; vemos crianças trabalhando, adultos desempregados, famílias sem atendimento médico, tudo diante da indiferença. Um mundo que tem quase US$ 40 trilhões de renda mundial concentrada em poucos países obriga os povos pobres a pagarem US$ 300 bilhões por ano de serviço da dívida, quando apenas 0,1% da renda total seria suficiente para abolir o trabalho infantil, levando 250 milhões de crianças para a escola. Tudo isso diante da indiferença dos governos, dos organismos internacionais e da opinião pública.
            Diferentemente da inocente população nos tempos do nazismo, que não sabia o que acontecia, a população mundial de hoje não pode dizer que desconhece a realidade. Ela assiste à tragédia em cadeia mundial de televisão.
            Há cinqüenta anos, as fotos em branco e preto dos campos de concentração nazistas horrorizaram o mundo, quando publicadas em revistas, anos depois de terem acontecido. Hoje, assistimos ao vivo e em cores, pela televisão, a cenas ainda mais dramáticas de campos de concentração da modernidade, sem cercas, nem guardas, sem totalitarismo, nas estepes africanas ou na periferia das grandes cidades de qualquer país. E pouco se vê de horror ou indignação.
            Os filmes sobre o gueto de Varsóvia nos chocam até hoje, mas não nos chocam as cenas reais transmitidas pela televisão dos modernos guetos que são as favelas dos pobres excluídos, não importa a cidade do mundo onde estejam. Porque, banalizando a tragédia, treinamos para a indiferença e endurecemos nossos corações.
            A modernidade da globalização espalhou pelo mundo campos de concentração e guetos, sem preconceitos étnicos, sem opção política, sem necessidade de totalitarismo, acobertados pela indiferença que domina nossos tempos.
            Dentro de décadas, quando escreverem a História de nosso tempo, não será o avanço técnico nem a riqueza que definirão nossa era. Também não poderá ser a pobreza, porque ela é apenas uma parte da nossa realidade. Os historiadores terão de encontrar uma expressão que indique ao mesmo tempo a riqueza e a pobreza, a democracia e os campos de concentração da modernidade, o avanço técnico e os guetos modernos. O nome mais apropriado para nossa era será: tempo de indiferença.
            Hoje, vivemos na indiferença diante de todas as formas de perversão que caracterizam a sociedade moderna, na sua extrema riqueza e extrema pobreza, na sua possibilidade de paz e sua realidade de guerra, no seu excedente e sua escassez. Um tempo de indiferença diante dos destinos de crianças que trabalham, de adultos que não têm trabalho, de famílias sem terra, sem teto, sem esperança.
            Se nos olhassem desde onde estão, os habitantes dos anos 30 e 40 teriam vergonha da nossa desumanidade. Porque eles não foram treinados para a indiferença, como nós estamos sendo, diariamente, a cada dia, diante da televisão que nos mostra os horrores que, de tão vistos, deixam de incomodar.

Cristovam Buarque.  Rio, 8 de Abril de 2002



01 – Você concorda ou discorda do autor quanto à indiferença moderna? Por quê?
02 – Qual a influência dos meios de comunicação em relação à indiferença e passividade das pessoas?
03 – A situação hoje está pior ou melhor que na época de Hitler? Por quê?
04 – Por que as pessoas mais antigas sentiriam vergonha da época atual?
05 – O que poderia ser feito para quebrar a indiferença existente?
06 – De que modo somos treinados para a indiferença?
07 – Aprecie a afirmação: "A juventude sempre foi rebelde e revolucionária." 
         A frase é verdadeira ou uma fantasiosa? Justifique.
08 – Em sua opinião, a situação de indiferença é preocupante? Justifique.